quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Moralidade necessária

Em postagem anterior (veja clicando aqui), comentamos sobre o fato de magistrados aceitarem agrados da iniciativa
privada.

Agora, o CNJ resolveu colocar regras nessa promiscuidade entre servidores do judiciário e empresas dos mais diversos seguimentos.

Nada mais justo. Qual a moral ou isenção teria um juiz para julgar uma ação relativa a empresa ou entidade das quais tenha recebido algum tipo de benesse?

Abaixo, matéria divulgada na Agência Brasil

CNJ prepara regras para que juízes não aceitem benefícios privados

Débora Zampier - Agência Brasil

A participação de juízes em eventos privados e o recebimento de presentes foram discutidos pelo CNJ- Conselho Nacional de Justiça.

Haverá regras para que os magistrados não extrapolem a função pública ao receber presentes, aceitar viagens e outras vantagens. A proposta de resolução apresentada pelo corregedor nacional de Justiça, Francisco Falcão, foi aprovada por seis dos 15 conselheiros.

A discussão foi suspensa por um pedido de vista dos conselheiros Carlos Alberto Reis de Paula, Ney Freitas e Emmanoel Campelo. O debate sobre a proposta deve ser retomado no dia 19 de fevereiro.

Em seu voto, Francisco Falcão defendeu moralidade na magistratura. “Magistrado não pode receber carro, cortesias de cruzeiros, transatlântico, passagem de avião. Isso é uma vergonha, uma imoralidade. Eles devem viver com seu salário e patrocinar do seu próprio bolso o custo de suas viagens, suas despesas pessoais e de seus familiares", afirmou.

A resolução foi proposta como consequência de um pedido de providências envolvendo festa promovida pela Associação Paulista de Magistrados no ano passado. O processo pretendia apurar se juízes e desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo receberam brindes oferecidos por empresas, como passeios em um cruzeiro, automóvel e hospedagem a um resort, um hotel de lazer usado para relaxamento ou recreação.

A proposta de resolução determina que todos os eventos realizados por tribunais, conselhos de Justiça e escolas oficiais da magistratura tenham gastos abertos para fiscalização. Proíbe magistrados de receber presentes e brindes, inclusive passagens e hospedagem em eventos intermediados por entidades de classe.

As únicas exceções, além das previstas em lei, ocorrem quando a verba de ajuda de custo for paga exclusivamente por entidade de classe de juízes, sem qualquer tipo de patrocínio. Também não há proibição quando o magistrado participar de evento na condição de palestrante, aluno ou professor.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Outro retrato da saúde no Brasil

E por falar em saúde, desta vez com relação ao estado do Maranhão, governado pelo clã dos Sarney’s há mais de quatro décadas, a situação é ainda pior.


Vejam abaixo, matéria de autoria do jornalista Sandro Vaia do Caderno SP, publicada no Jornal da Besta Fubana www.luizberto.com


SARNEY E A FOME NO SOCORRÃO

Sandro Vaia

“O Maranhão não suportava mais nem queria o contraste de suas terras férteis, seus vales úmidos, seus babaçuais ondulantes , de suas fabulosas riquezas (…) com a miséria, com a angústia, com a fome, com o desespero…”

Em 1966, o então jovem de 36 anos José Sarney, eleito governador, empolgava o Maranhão com um discurso de posse literariamente contundente, cheio de palavras ásperas, prometendo colocar um fim na miséria e na corrupção que assolavam o Estado.

Ele prometia “mudar a face do Maranhão” e o povo, entusiasmado, aplaudia. Quem quiser se emocionar com o discurso e com as imagens da pobreza do Estado cuja redenção se iniciava naquela posse, assista ao vídeo que está no final desta postagem e verá, em pouco mais de 10 minutos, um dos documentos mais chocantes já produzidos sobre a realidade política do País, dirigido pelo talento nascente daquele que viria a ser o mais mítico dos nossos cineastas.

Como poderia imaginar o jovem gênio do cinema que se vivo estivesse, agora, 47 anos depois da posse do governador Sarney, seria possível repetir o documentário com o mesmo roteiro de pobreza e miséria que aquele derramado discurso de posse prometia combater e eliminar.

O Maranhão é hoje, 47 anos depois do início do domínio da oligarquia Sarney, o penúltimo estado no Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil, superado apenas pelo tenebroso estado de Alagoas, que já foi comandado também por um ex-presidente da República.

Uma semana atrás, o médico diretor de um hospital público do Maranhão, apelidado de Socorrão I, apareceu num programa de televisão e escreveu no Facebook pedindo à população que doasse alimentos e produtos de limpeza para que o hospital pudesse continuar funcionando.

O hospital é municipal, comporta 128 pacientes mas tem 216 internados, e o descalabro em que está é atribuído ao ex-prefeito João Castelo (PSDB), que acaba de encerrar a sua gestão.

O prefeito que assumiu decretou estado de emergência na saúde pública de São Luis. O ex-prefeito, cuja maior obra é o estádio de futebol que consagra seu nome no aumentativo-Castelão-apesar de filiado ao PSDB, recebeu o apoio da governadora Roseane Sarney no segundo turno, mas perdeu para um político do obscuro PTC.

O Maranhão definha, e as palavras de José Sarney de 1966 perderam-se no vento, enquanto ele cortava a fita de inauguração da exposição “Modernidade no Senado Federal-Presidência de José Sarney”, paga com dinheiro público, na semana passada,em Brasília.

Dinheiro que poderia comprar comida para os doentes do Socorrão.
 
 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Mais uma dos Gomes

É, o povo do Ceará não tem sorte mesmo com os governantes que elege.

Apesar do sistema de saúde pública está um caos, o governo do estado do Ceará, o Sr. Cid Gomes contratou a cantora Ivete Sangalo para um show de inauguração de um hospital em Sobral, cidade natal do governador, com um cachê de nada menos que seiscentos e cinquenta mil reais.

Ao ser questionado pelo Ministério Público e pela Imprensa, o governador afirmou que estava totalmente correto e que o povo precisa de diversão.

Pode ser para o senhor seu governador, que tem seus planos de saúde e pode pagar qualquer tratamento para si e seus familiares.

Quanto ao povo não só do Ceará mas do Brasil inteiro, precisa mesmo é ser bem atendido nos hospitais públicos. Imaginem quantos equipamentos e medicamentos poderiam ser adquiridos com esse dinheiro?

Abaixo, matéria publicada na Folha de São Paulo.


Procurador quer de volta cachê de Ivete por show no CE

NELSON BARROS NETO
 
O Ministério Público de Contas do Ceará informou que vai pedir o ressarcimento aos cofres públicos do cachê de R$ 650 mil pago pelo governo do Estado à cantora Ivete Sangalo por um show na inauguração de um hospital estadual em Sobral.

O show foi realizado na sexta-feira, na cidade que é berço político do governador Cid Gomes (PSB) e de seu irmão Ciro. O pagamento do cachê foi registrado ontem na contabilidade do Estado.

Segundo a instituição, mesmo em casos de dispensa de licitação, o poder público deve apresentar ao menos três orçamentos, mas o governo só anexou dois.

O procurador-geral do Ministério Público de Contas, Gleydson Alexandre, diz que apresentará o pedido no dia 5, na volta do recesso do Tribunal de Contas do Estado.

Em análise inicial, o TCE não apontou irregularidade no caso. Se essa avaliação for mantida, Alexandre disse que cobrará a devolução dos R$ 650 mil na Justiça.

O Ministério Público listou seis shows de Ivete Sangalo contratados por prefeituras em 2012, entre elas a do Rio de Janeiro, por valores entre R$ 400 mil e R$ 500 mil.

O governador Cid Gomes informou ontem, por meio da assessoria de comunicação, que não poderia se pronunciar porque não foi notificado sobre o tema.

Na semana passada, Cid afirmara que continuaria a promover esses eventos "doa a quem doer" e que o "povo precisa de diversão". Ivete Sangalo não se pronunciou.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Esse foi o cara

No último dia 15 foi aniversário de nascimento do maior arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer.  Caso estivesse vivo completaria 105 anos de existência.

Niemeyer, além de projetar a arquitetura brasileira mundo afora com obras assinadas por ele em dezenas de países, era também um apaixonado pela arte, pela música e especialmente um ser humano exemplar.

Entre suas principais obras estão: A Sede da ONU nos EUA, Igreja da Pampulha em MG, Sambódromo no RJ, Praça dos 3 Poderes no DF , Museu de Arte Contemporânea de Niterói no RJ, entre centenas de outras, sendo que sua última foi o Museu dos Três Pandeiros na PB.

Para prestar-lhe essa merecida homenagem, publicamos abaixo uma belíssima charge do Maurício Ricardo. 



sábado, 15 de dezembro de 2012

Essa foi de lascar

As vesperas do jogo do Corínthias com o Chelsea pelo campeonato mundial de clubes no Japão, o Instituto Datafolha publica uma pesquisa afirmando que a torcida do time paulista se iguala a torcida do Flamengo.

Até concordo que o Corinthias tenha uma grande torcida na capital e cidades do estado de São Paulo que realmente é o mais populoso do Brasil, mas querer afirmar que os percentuais de torcida sejam iguais em todo o país é pra quem acredita em papai noel ou coelhinho da páscoa.

Esse mesmo data folha afirmou tempos atrás que a torcida do flamengo havia diminuido em cerca de 5% no ano de 2010. Ora, em 2009 o Fla foi campeão brasileiro pela sexta vez e geralmente quando isso acontece a tendência é aumentar o número de torcedores.

Vamos considerar que o datafolha esteja correto em suas afirmações, o corinthias teria que ter aumentado só este ano em 5 milhões de torcedores ou considerando a segunda hipótese teriam morrido ou trocado de time, o que é muito improvável, outros 5 milhões. (veja pesquisa promovida por uma agência de marketing argentina, clicando aqui).

Outro absurdo colocado na pesquisa é o fato do Cruzeiro aparecer com um percentual de torcida maior que a do Atlético Mineiro, onde qualquer leigo sabe que é justamente o contrário.

Senhores pesquisadores do datafolha vão procurar o que fazer!

Abaixo, matéria publicada no MSN Esportes.

Torcida corintiana iguala à do Flamengo como a maior do Brasil, diz Datafolha

  O Corinthians igualou o Flamengo e agora divide com os rubro-negros o posto de clube com a maior torcida do Brasil. É o que garante pesquisa do Datafolha, divulgada na edição deste sábado da "Folha de S. Paulo", que ouviu 2.558 pessoas em 160 municípios do país na última quinta-feira.

Segundo o levantamento, 16% dos questionados afirmaram torcer pelos cariocas, exatamente o mesmo número que declarou amor ao time paulista, que, desde 2009, quando voltou à Série A após disputar a segunda divisão no ano anterior, só cresce na quantidade de apaixonados - em 2010, eram 14%.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e os entrevistados foram pessoas a partir dos 16 anos. O Datafolha pesquisa sobre número de torcedores desde 1993, e esta é a primeira vez que os alvinegros chegam ao patamar de 16%.

Em 2010, ano do último levantamento, já havia ocorrido um empate técnico entre as torcidas de Flamengo e Corinthians: a rubro-negra somava 17%, enquanto a alvinegra era de 14%, com a margem de erro sendo de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A terceira maior torcida do Brasil, segundo o Datafolha, continua sendo a do São Paulo, com 9%; a do Palmeiras aparece no quarto lugar com 7%, enquanto a do Vasco é a quinta colocada no ranking com 5%.

Veja, abaixo, o ranking das maiores torcidas do país segundo o Datafolha

Flamengo - 16% Corinthians - 16% São Paulo - 9% Palmeiras - 7% Vasco - 5% Grêmio - 4% Cruzeiro - 3% Santos - 3% Internacional - 2% Atlético-MG - 2% Botafogo - 2%Fluminense - 1%Bahia - 1%Vitória - 1% Portuguesa - 1%

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O crime da guerra

 
 
De acordo com a literatura apocalíptica, as quatro piores pragas da humanidade são: a guerra, a fome, a peste e a morte. Por isto, o maior esforço da civilização sempre foi superar os sofrimentos que acompanham estas pragas. Entre estas pragas, a mais terrível, certamente, é a guerra, pois ela sempre desencadeia, com maior intensidade, as outras três.

Ao final do século XX esperava-se, ansiosamente, que o século XXI fosse um século de paz, uma era de espiritualidade, de solidariedade, de tolerância. Confiava-se que a humanidade tivesse chegado a um nível de civilização em que resolvesse seus conflitos pelo diálogo, pela diplomacia, e não precisasse mais destroçar seus adversários com todo tipo de armas. Mas, o que vemos?

Em apenas uma década deste novo século, violências e guerras explodindo em diversas partes da terra. A humanidade praticando crimes contra a humanidade. Por que a humanidade não consegue resolver seus conflitos, usando o que o homem possui de mais característico: a razão e a palavra?

Esta questão está envolta em um certo mistério. Filósofos, juristas, políticos, teólogos e intelectuais de toda ordem já emitiram suas opiniões. Talvez um dia consigamos construir uma civilização de paz. Neste sentido, é interessante um livro, escrito em l870 pelo filósofo e jurista argentino Juan Bautista Alberdi, sobre “O Crime da Guerra”. Se Alberdi tivesse sido europeu, provavelmente seu livro estaria entre os clássicos do Direito Internacional. Mas como era latino-americano, não teve o impacto merecido.

Alberdi, já no início de seu livro, condena o Direito Romano como culpado pelo que denomina de “direito da guerra”. Para Alberdi não existe “direito de guerra”, mas apenas “crime de guerra”, pois toda guerra autoriza homicídios, saques, incêndios, devastações no maior grau possível. Se não ocorrerem tais fatos, a guerra não é guerra. Tudo isto é crime pelas leis de todas as nações civilizadas do mundo. E a guerra legitima tudo isto, transformando tais ações em atos honestos e legais. Por isto, em realidade, a guerra é o direito ao crime, um contrassenso espantoso e sacrílego, um verdadeiro sarcasmo à civilização.

  Mas isto se explica pela história, pois o direito dos povos, assumido pelo Ocidente, é romano, assim como nossa civilização é romana. E o “direito das gentes” romano se confunde com o direito de conquista, resquício do cesarismo. Por isto, as verdadeiras democracias não se enganam, quando manifestam uma aversão instintiva a este cesarismo. É a antipatia da razão contra o uso da força, como princípio da autoridade.

Todo o livro de Alberdi é contra qualquer classe de guerra. Não admite, como Hugo Grócio, a guerra justa. Para Alberdi, o conceito de guerra justa é um contrassenso selvagem. Seria o mesmo que dizer: crime justo, crime santo, crime legal. Não existe guerra justa, porque não existe guerra com juízo. A guerra é a perda temporária do juízo. É a alienação mental, uma espécie de loucura ou monomania.

Na guerra os homens nada fazem que não seja loucura, nada que não seja mau, feio, indigno do homem bom. O homem em guerra não merece a estima do homem em paz. Guerra civilizada não passa de um barbarismo equivalente a barbárie civilizada. Por isto, os melhores soldados para qualquer guerra seriam os marginais, os bárbaros, pois é impossível admitir que uma guerra possa ter fins civilizados.

Muito lamentável, para Alberdi, é o fato de povos cristãos se envolverem em guerras. Pois, para ele, a guerra é um crime para a moral cristã. O cristão é uma pessoa de paz, ou não é cristão. Pois, desde que Cristo disse: “apresentai a outra face a quem voz bofeteia”, a vitória mudou de natureza. Desde então, a glória não está mais do lado das armas, mas próxima aos mártires. E a paz já não resulta simplesmente dos tratados ou das leis internacionais, mas da disposição pacífica no interior de cada homem.

Alberdi está consciente de que não é simples abolir as guerras, por isto indica caminhos para reduzi-las. E um destes caminhos é retirar o poder de violência das mãos dos beligerantes, e entregá-lo à humanidade.

É interessante este profetismo de Alberdi em 1870, pois ele propõe o que hoje se espera de qualquer declaração de guerra: que apenas possa ser autorizada pela ONU. O que justamente não aconteceu na guerra Estados Unidos/Inglaterra X Iraque. Se isto fosse respeitado, as guerras se purificariam de mil práticas, pois ninguém se aventuraria a voluntariosamente declarar guerra, pois seria considerado criminoso e responsável por qualquer injustiça que acontecesse durante o conflito.

 Para Alberdi, a única forma de diminuir as guerras é levar os “criminosos de guerra” aos tribunais internacionais. Pois, enquanto os principais atores dos crimes de guerra gozarem de impunidade, as guerras se repetirão.

Concordando com Alberdi, esperamos que, depois das atuais guerras, os tribunais internacionais tenham coragem de julgar os responsáveis pelos crimes que se estão cometendo.

Por Inácio Strieder.

Extraído do Jornal da Besta Fubana - www.luizberto.com

sábado, 1 de dezembro de 2012

Ufa, escapamos!

Em um jogo morno e sem muitas emoções o Flamengo encerrou sua participação no Campeonato Brasileiro de 2012, empatando com o Botafogo no estádio do Engenhão pelo placar de 2 x 2.

O ano de 2012 pode ser considerado um ano perdido para um clube de tradição e de maior torcida do Brasil como é o Mengo.

Durante o ano nada deu certo para o FLA, começando pela desclassificação da Libertadores e do Campeonato Carioca e as fracas atuações durante o Brasileirão, sem contar com as crises administrativas, dispensa de jogadores e mudança de técnico. 

Mas a verdade é que saímos no lucro  ficando em 11º lugar entre os 20 participantes e termos escapado do rebaixamento para a segunda divisão.

Vamos torcer para que em 2013 tudo seja diferente e o Flamengo volte a dar muitas alegrias a sua grande e apaixonada torcida.

A seguir os gols do jogo.